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quarta-feira, maio 30, 2007

Banana Com Canela!

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Sábado:

Um pagode no Bananada! Eu não tava acreditando, mas em algum lugar estava rolando uma roda de pagode. No meio da barulheira elétrica que escapava do teatro dava para distinguir o baticum afro-decadente. Me levantei da mureta, dei o último gole na coca-cola, joguei longe a lata e fui investigar. Atravessei o pátio lotado de adolescentes de preto e, seguindo o som, fui parar no bar. Pablo Kossa, crooner dramático do Chapéu, Cerveja e Frustrações, puxava o samba que reunia algumas dúzias de humanos empolgados pelo nonsense e pela birita. Entendi tudo.


Enquanto isso, dentro do teatro Yguá, o Mestre Laurentino – o tiozinho de 82 anos do Coletivo Rádio Cipó – invadia o palco e roubava as atenções no show da Motherfish. A platéia, até então apática, porém atenciosa, passou à ovação zoológica, se divertindo com a performance do pop-star octogenário e relegando a apresentação do Motherfish à condição de coadjuvante do freak-show.

Depois desse mashup involuntário (pelo menos pra Motherfish), a pernambucana Vamoz! me deu um descanso pro mistão de hamburger da noite: Vocês não conseguiram um baixista? Ok, quando arranjarem um, (não) me avisem.

Já o show do Udora foi o protagonista do primeiro daqueles temas que martelavam minha cabeça lá no post passado, lembra?


Udora
Foto: www.e-mitocondria.com.br

A nova (terceira) fase da banda, que soa como uma tentativa de emplacar na trilha-sonora da próxima temporada de Malhação, não poderia ficar mais deslocada e vulgar, espremida nos mesmos quarenta minutos em que as músicas dos maravilhosos primeiros discos, ainda em inglês e sem apelações desonestas.

Abriram a apresentação espertamente com Fade Away, primeiro single do amado Liberty Square, e colaram Pieces bem na seqüência. Com a platéia conquistada, começaram a enumerar os excrementos que essa nova formação quer que engulamos. Se o Gustavo Drummond quer mesmo impor seu novo, err, “repertório”, devia abandonar seu passado, por que enquanto misturar coisas chulas como Guerrilheiro Só e Por que Não Tentar de Novo, com glórias pretéritas da categoria de Burn My Hand e Drain (encadeadas maravilhosamente no show), 4D e Beautiful Game, vai estar sujeito às comparações desfavoráveis que tanto o incomodam.

Portanto, diante de tanta contradição decretei: o Udora fez o melhor e o pior show do festival. Parecia duas bandas diferentes ocupando os mesmos corpos, mesmos instrumentos e mesmo palco. Impressionante!


Lá atrás, no começo da noite, já haviam se apresentado as locais Chapéu Cerveja e Frustrações, e Envy Hearts, além da amazonense Mezatrio.

O quarto show da noite foi da 2Fuzz – velha conhecida do blog –, que está lançando seu segundo disco, Límen, e desembarcou em Goiânia pela primeira vez. Misturando as novas canções com outras da sua estréia em disco, Amousía de 2005, os cearenses tramaram bem suas explosões guitarreiras, inspiradas no grunge e no pós-tudo desse novo milênio (que começou em 1997), arrancando aplausos entusiasmados da multidão que começava a se formar.


Seguindo, a Black Drawing Chalks sacudiu suas cabeleiras no palco do teatro Pyguá, antes da Pública despertar sua receita bretã de rock com pianos. O quinteto que chamou a atenção de boa parte da crítica no ano passado com Polaris, primeiro disco dos guris, fez com que centenas se enternecessem com as melodias tristemente juvenis, carregadas de uma lisergia branda e amistosa. Destaque para o ótimo single Long Plays, que evoca Arnaldo Baptista, Brian Wilson e John Lennon. Com sotaque gaúcho!


Antes de o Mestre Laurentino roubar a cena no show do Motherfish (lembra?), a carioca Rockz se valia de toda a modernidade roqueira dos novos tempos e botava o povo pra dançar com suas canções frenéticas e inspiradas no rock fashionista de Franz Ferdinand e Arctic Monkeys.



Born A Lion

Voltando lá pro fim da noite, era a vez dos Born A Lion. Se valendo, involuntariamente e a priori, da curiosidade gratuita e idiota que os brasileiros nutrem por estrangeiros, os colegas lotaram a arena do Yguá. Poderia emendar aqui uma piadinha de português, para ilustrar o meu estado de espírito, e dizer que o caldo psicodélico negro dos lusitanos não justificou tamanha atenção antecipada. Mas não, não vou dizer. Estão falando por aí que o trio joaquim é a última bolacha do pacote e eu, que acho o contrário, vou ficar mesmo é calado.


Antes do MqN novamente incendiar a massa, os Trissônicos tentaram despentear a poesia e fizeram o show inofensivo de sempre.


Depois do MqN novamente incendiar a massa, a “headliner” Valentina não conseguiu segurar a grande maioria dos exaustos, e fez a última apresentação da noite entornando seu mix de guitarras furiosas com androginia performática para uma platéia esquálida, enquanto eu procurava pelas chaves de casa na mochila, angustiado por algumas horas de sono.


Pra você, boa noite.

2 comentários:

Leo disse...

cara, numa boa...
vc eh muito critico. sinceramente eu espero que vc seja um musico extremamente talentoso, habilidoso e entendedor de musica. pelo contrario, vc bem poderia ser menos chato nos julgamentos e apenas tentar ouvir o som sem preconceitos. pq musica eh mais que ideologia expressa. pensa nisso e todos nos vamos gostar.

Abraço.
Leandro. (ah, eu nao sou fã de nenhuma banda citada)

Jaque Hell City disse...

Concordo com que o Leandro disse, e tbém concordo contigo, qdo fala que brasileiro tem fascinio besta por gringos...

Porém venhamos e covenhamos "Born a Lion" Agradou sim, e creio que nisso ai... Vc quis ser o do "Contra"... Já que todos fizeram resenhas "louvando", os portugas, FALAR que nem vai escrever nada é bem MELHOR né?