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segunda-feira, dezembro 17, 2007

A Redenção do Violins

Foto: Thiago Ricco


Prestes a lançar o segundo álbum em menos de um ano, o Violins falou com o Goiânia Rock News no intervalo da gravação dos vocais, depois de uma atenciosa audição do que já havia sido registrado do disco, batizado A Redenção dos Corpos, lá no Rock Lab Studio. Siga as letrinhas e descubra por que o Violins não se cansa:



Logo que o Tribunal Surdo foi lançado, vocês já anunciaram um outro disco, inicialmente chamado de A Redenção dos Porcos. As músicas desse disco já estavam prontas, ou pelo menos esboçadas, nessa época?
Beto Cupertino – Não. Era uma vontade, na verdade, as músicas não estavam prontas ainda. Quando lançamos o Tribunal Surdo, a gente falou assim: vamos lançar mais dois discos no próximo ano? (risos) Devia ter uma ou duas músicas prontas só, pouca coisa. Passamos dois mil e sete fazendo shows do Tribunal Surdo, e agora no fim do ano a gente parou para fazer os arranjos, e começar a ensaiar as músicas e gravar. A gente só não fez um pouco antes por que estávamos dependendo de uma grana que não saía nunca, né Thiago (risos), Mas agora as coisas melhoraram.


Esse é o segundo disco com o Thiago Ricco no baixo...
Beto – É, é o segundo, mas é o primeiro em que ele está muito à vontade.
Thiago Ricco – No Tribunal Surdo eu ainda estava conhecendo o pessoal né? Pensava: será que eu posso arranjar desse jeito? Ou não? Não, não, melhor não, vai parecer muito exibido... (risos), essas coisas assim. Esse disco agora eu fiz muito tranqüilo, muito em casa mesmo.
Beto – Acho que ele fez os baixos um pouco mais tímidos, contidos, com medo de colocar uma coisa aqui e ali, e a gente não se conhecia muito bem ainda, mas agora a gente até já transa... (risos)
Thiago – Mas não me arrependo de nada, hoje eu toco a mesma coisa que eu gravei.


Da última vez que entrevistei o Violins, no final do ano passado, depois do fim das gravações do Tribunal Surdo, vocês conceituaram verbalmente cada disco. O Wake Up and Dream era “A Busca pela Beleza”, o Aurora Prisma também, mas dentro de um cenário “Onírico-Romântico”, o Grandes Infiéis (além do conceito óbvio da infidelidade) era a Intensidade, e o Tribunal Surdo “A Arte do Patético”. E agora?
Pierre Alcanfor – É um retorno ao Aurora Prisma, um retorno à melodia. Mas não é um disco romântico.
Beto – Não tem nenhuma música de amor no disco, as letras seguem uma tendência não-romântica, meio realista. Mas é baseado em melodias, remonta às nossas paixões por melodias. É um disco que fala sobre humanidade. Não no sentido de A Humanidade, Os Homens, é mais no sentido de humanidade como sentimento. A Redenção dos Corpos quer dizer a redenção de quem está pisando na terra, do material... É difícil ficar falando sobre isso. Mas acho que é a idéia do estar aqui e agora, e sentir isso, ou aquilo, sem dizer se é certo ou errado. É humano. É um disco sobre libertação terrena. Acho que é isso.


E por que a mudança do nome, que inicialmente era A Redenção dos Porcos?
Beto – N’A Redenção dos Porcos a visão era quase a mesma, mas com uma veia crítica. E A Redenção dos Corpos, em vez de criticar, virou pra si.
Pierre – É que com A Redenção dos Porcos, tinha uma coisa de julgamento...
Beto – É, e em vez de julgar, é a redenção do que se é. E só, sem pretensão nenhuma de fazer juízo de valor.


Durante a gravação do último disco, no ano passado, vocês disseram que estavam escutando coisas como Nine Inch Nails, Deftones, ainda que nada disso se refletisse no resultado. E agora?
Beto – Eu tenho escutado muita coisa de bandas independentes brasileiras. Gosto muito de Terminal Guadalupe, de Ludovic, de Udora...


Foto: Pedro Saddi

Gostou desse novo do Udora, o Goodbye Alô?
Beto – Gostei. Não gostei tanto quanto eu gostei do Liberty Square, até mesmo a fase Diesel. Mas achei legal, é um disco pra quem gosta de pop. Como eu gosto de pop, gostei do disco, mas entendo quem não gostou. Estava ouvindo o novo do Radiohead também, achando mais ou menos. Eu sempre comparo [discos do Radiohead] com o Ok Computer, e achei esse meio assim... Não me tocou, eu ouvi poucas vezes e isso é um mal sinal.
Thiago – Um disco que eu estou ouvindo agora é o Fome de Tudo, novo da Nação Zumbi, e estou babando!
Beto – Ah, e eu descobri o Cordel do Fogo Encantado no Goiânia Noise, e quase caguei nas calças. Eu chorei no show, o texto, o palco, a interpretação do cara, a banda. Achei tudo muito foda. Sem lógica, sem lógica!
Pierre – É, Cordel do Fogo Encantado foi uma grande novidade!


Vocês vão decepcionar os indies goianos...
Beto – Eu tô pouco me fudendo pros indies goianos! (risos gerais) Estava ouvindo o Transfiguração [último disco do Cordel], e achei muito foda mesmo!


Tem uma parcela do público rock que ama odiar o Cordel...
Beto – É, isso é engraçado. No Noise, os shows que eu achei mais brilhantes foram, normalmente, aqueles que as pessoas acharam ruins. Pra mim o melhor show do Noise foi o do Cordel do Fogo Encantado. Agora quanto aos piores, eu não vou ser antipático e ficar falando não.
Pierre – Eu ando ouvindo muito pouca música, mas continuo arriscando uma coisinha de jazz, pra conhecer mais, por que conheço muito pouco. Tem sido um universinho novo. John Coltrane, Bill Evans... eu cansei daquela sonoridade do rock, daquele indiezinho.


E o próximo disco?
Pierre – Espero que demore um pouquinho. (risos) Eu não tenho memória pra isso tudo não.
Beto – Agora em janeiro eu vou entrar em recesso, provavelmente vou compor ele todinho! Aí eu jogo em cima deles e fico enchendo o saco. (mais risos) Um disco tem a validade de um ano, depois desse tempo fico cansado. Já estou meio cansado do Tribunal Surdo, mas ainda consigo tocar. Mas o ano que vem todo não. É uma doença minha.
Pierre – O negócio é a repetição, o cuidado em lançar discos tão perto um do outro tem que ser aí.
Beto – É, se a gente está cansado do Tribunal Surdo, o negócio é fazer outra coisa, não dá pra repetir. Mas, no fim das contas, é só frescura mesmo. (risos gerais)



A promoção de natal continua valendo. Vai ali na caixa de comentários e deixa anotado lá quais foram, pra você, os melhores discos de dois mil e sete, junto com seu nome e um e-mail válido. Quem responder pode levar pra casa:


* Um ingresso para ver os Forgotten Boys e o Envy Hearts no Bolshoi Pub, na próxima quinta feira.

* O disco de estréia da Olhodepeixe, o ótimo Combustível.

* Ou King Size, o primeiro dos Rockefellers, que prometem novidade para o começo do ano que vem.


Corra o risco.



Tchau


10 comentários:

brnozu disse...

Violins - Tribnal Surdo
Vanguart - vanguart
Nação Zimbi - Fome de tudo
Pato Fú - Daqui pro Futuro
Dead Fish - Um homem Só
Radiohead - In Rainbows
Superguidis - A Amarga Sinfonia do Superstar
Ecos Falsos - Descartável Longa Vida
Colligere - Palavra
Noção de nada - Sem Gelo
Udora - Goobye Alô
Kings of leon - because of the times
Pata de elefante - Um olho no fósforo, outro na agulha.



by
Bruno Abnner Lourenzatto Silveira
bals88gmail.com

(Ingresso Forgotten)

Anônimo disse...

Superguidis
Violins
Black Drawing Chalks
Mechanics
Rockassetes


Andre Vieira

vieirafamily@yahoo.com.br

Quero o ingresso do Forgotten Boys!!

Pink Punk Girl disse...

Radiohead e Keane, óbvio!


Luana Castro

pinkpunk@hotmail.com

Quero muito disco da Olho de peixe!

Maria Clara Dunck disse...

Os melhores álbuns de 2007 foram:

Superguidis - A Amarga Sinfonia do Superstar
Diego de Moraes - Reticências
Mothefish - Life can be a Pretty Scary Thing

Maria Clara Dunck

mdunck@hotmail.com

isabela disse...

The Donnas - Bitchin'
Sahara Hotnights - What if leaving is a loving thing

isabela de souza verri
isa-isa-bela@hotmail.com

Amanda disse...

Radiohead - In Rainbows.
Black Drawing Chalks - Big Deal.
Queens Of The Stone Age - Era Vulgaris.

Kanne disse...

Black Drawing Chalks - Big Deal.

Queens Of The Stone Age - Era Vulgaris

Pietro Bottura Gonçalves

x_perfs_x@hotmail.com

rodrigo rcm disse...

White Stripes Icky Thump
The Field From Here We Go To Sublime 2007
Renato Teixeira No Auditorio Ibirapuera 2007
LCD Soundsystem Sound Of Silver 2007
Digitalism Idealism 2007
QOTSA Era vulgaris

rodrigo.rcm@gmail.com

Nome de tela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos Alexandre disse...

Violins - Tribunal Surdo
Pato Fu - Daqui pro futuro
Superguidis - A Amarga Sinfonia do Superstar
Diego de Moraes - Reticências
Foo Fighters - Echoes, Silence, Patience & Grace

CARLOS ALEXANDRE CAVARZAN CAMÊLO
carlosalexandre1911@hotmail.com