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sexta-feira, julho 29, 2011

the number of the beats 2011/7

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Caldo de Piaba é a melhor banda do norte do País. Sua mistura instrumental de pop amazônico com um suave sotaque caribenho segue fazendo do trio, em 2011, um dos maiores destaques do independente nacional.




"Lambada Nova" é a faixa de abertura de Volume 3, seu terceiro EP, registrado em fevereiro último na sede da OI FM em São Paulo, numa das edições do programa de rádio Qualquer Coisa.





quinta-feira, julho 28, 2011

Bananada 2011 - programação completa

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Mugo, Black Drawing Chlaks, Hellbenders, Johnny Suxxx, Space Monkeys, Bang Bang Babies, Dom Casamata, Kamura, Ultra Vespa, Girlie Hell, Grupo Sincrosone, Banda Uó, Gloom, Diego e O Sindicato, Barfly, Folk Heart, Solicitude, River Breeze, Trivoltz, Black Queen




28 de agosto
Martim Cererê
Ingressos de R$ 2 (dois) a R$ 100 (cem) - você escolhe quanto vai pagar







quarta-feira, julho 27, 2011

A nova do CSS

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Vazaram a faixa-título do próximo disco do CSS, "La Liberación".


Se eu gostei? Acho que não. Aliás, dos 2 primeiros discos do CSS dá pra contar nos dedos de uma mão (com sobras) as faixas que eu eventualmente ainda ouço, por prazer. Em todo caso, tá aí.





E você, gostou?





terça-feira, julho 26, 2011

Respira

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Madame Saatan





Começou - produtor divulga música inédita de Amy Winehouse

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O produtor de Back to Black - principal disco da Amy Winehouse, Salaam Remi, divulgou hoje uma música "inédita" da cantora recém falecida em sua página no Twitter ("Roun' Midnight" chegou a ser lançada em 2008, como "Around Midnight", na deluxe edition de Frank).




Mas apesar disso, Remi escreveu em seu site que a faixa nunca foi ouvida antes, dando a pista de que se trata de um take inédito. "Roun' Midnite" está disponível em streaming no site oficial do produtor e para chegar lá e ouvir a peça, clique aqui (lá tem também uma versão alternativa para "Unholy War", divulgada no último fim de semana)






Divisão de Censura e Diversões Públicas

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"A falta de gosto impede a liberação da letra."


Clique na imagem para ampliar.



Dica da Uli, que viu no site do Arquivo Nacional.






segunda-feira, julho 25, 2011

sexta-feira, julho 22, 2011

What’s that between your legs?

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WTFUCK?!



Via Bonde do Rolê.








Bon Iver X Peter Gabriel

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Para acompanhar, em maio, o lançamento de "Calgary" - o primeiro single de seu segundo disco - Bon Iver deu sua versão para “I Can’t Make You Love Me”, da Bonnie Raitt.




Agora, para fazer dobradinha com o novo single "Holocene", Justin Vernon restitui Peter Gabriel com o cover de "Come Talk To Me", na praça desde o ano passado (Gabriel gravou "Flume" em seu disco de releituras, Scratch My Back, lançado em 2010).





O clipe novo do Lenny Kravitz

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Muita gente torce o nariz, mas a discografia do cara fala por ele.




Esse primeiro single, "Stand", não é lá grande coisa, mas Kravitz tem crédito pra me fazer esperar pelo resto da lista de Black and White America com certo otimismo, já que o último It Is Time For A Love Revolution (2008) se desculpou com folga pelo raro equívoco de Baptism (2004).



the number of the beats 2011/6

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Sonantes é o projeto que ajuntou a Céu, o marido Gui Amabis, o cunhado Rica Amabis e a cozinha da Nação Zumbi, Dengue e Pupilo, numa das melhores "novidades" do pop brasileiro em 2011.




Originalmente lançado em 2008 com exclusivdade nos EUA e Europa, o disco que só agora ganha versão nacional varia entre temas instrumentais e aquela malemolência característica dos álbuns da Céu, adicionando um suave toque experimental. Com participações de gente como Siba, Fernando Catatau, Lúcio Maia e BNegão, o álbum é um dos itens mais interessantes do ano, até agora, e "Defenestrando" é a faixa que melhor sintetiza todos esses predicados, numa espécie de resumo musical da peça.





quinta-feira, julho 21, 2011

Boss In Drama lança música inédita

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Preparando seu disco de estreia há um tempão, Boss In Drama disponibilizou hoje "Pure Gold", faixa de seu esperado debut.



Péricles Martins, o dj/produtor por trás do pseudônimo, já arrasou quarteirões com o single matador "All The Love", onipresente nas festas subterrâneas do indie brasileiro em 2008. Já em 2009, BiD juntou a ela mais três canções e lançou My Favourite EP, ganhando repercussão positiva na maioria dos reviews.

Agora, anunciando novamente o lançamento de seu primeiro álbum, "Pure Gold" reprocessa a atmosfera néon e pulsa em batidas que misturam disco, electro e soul-music. Clique aqui para ouvir.




Aos senhores grafiteiros

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Clique na imagem para ampliar.




Via 9GAG.





Depois do Gil, Mafaro

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Primeiro foi o Gil, que disponibilizou gratuitamente um app pra Ipad e Iphone com toda sua discografia em streaming.



E agora, seguindo os passos do ex-ministro, André Abujamra também entrou na onda e botou, nos mesmos moldes, o ótimo Mafaro pra jogo (num pacote que ainda inclui fotos, vídeos e notícias, pra ipad/ipod/iphone). Para baixar o aplicativo e ouvir um dos melhores discos lançados no ano passado, clique aqui.





quarta-feira, julho 20, 2011

A rede social analógica

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Fanzineiros do Século Passado - Capítulo 1




Via Diego de Moares.






terça-feira, julho 19, 2011

O clipe novo do Beastie Boys

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By Spike Jonze.





O novo do Chico

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Desde há muito que tenho uma preguiça monstro dessa idolatria classe média que, movida pela inércia do "bom gosto", ajunta mais gente burra que esperta ao redor da obra do Chico (uma sensação parecida com a que tenho em relação aos fãs do Los Hermanos).




E se o irmão da ministra saiu da toca pra repetir a "genialidade" de seus últimos discos, vai dar pra dizer que ele tá conseguindo merecer a audiência que tem. Em todo caso, o benefício da dúvida ainda é dele. Depois de ouvir a peça eu volto ao assunto.





Faroeste Caboclo - as primeiras cenas do filme

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Com lançamento marcado para o início de 2012, Faroeste Caboclo - o filme baseado na épica canção do Legião Urbana, já começa a ter cenas divulgadas pela produção da fita.


A sequência acima foi disponibilizada nos últimos dias no site oficial do filme dirigido por René Sampaio e que conta com Isis Valverde, Fabrício Boliveira e Felipe Adib no elenco.


The number of the beats 2011/5

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Esse vídeo eu já postei aqui, mas recuperei a pérola pra que ela fizesse parte do tnotb 2011 - a compilação do que de melhor rolou no dial do grnews neste primeiro semestre.




Original de Porto Alegre, o Sinuca de Bico proclama influências que vão de Jackson do pandeiro e Tamba Trio até Jimi Hendrix e Sly & Family Stone, mas "Ta todo mundo errado menos eu" guarda conexões internas, de fato, é com "Regra Três", o samba do Vinícius de Moraes.


Pescou?










segunda-feira, julho 18, 2011

Porão do Rock 2011 - programação completa

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Saiu a programação completa do Porão de Rock 2011, e o line up vai do imperdível ao dispensável, como de costume. Confira:


Jon Spencer Blues Explosion

Dia 29

Palco Chilli Beans

Palco UniCeub

Palco Extremo


Cidadão Instigado

Dia 30

Palco Chilli Beans

Palco UniCeub

Palco Extremo





Emicida - "Viva" (Feat. Rael da Rima, Prod. by Beatnick & K-Salaam)

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Na última sexta feira, depois de se apresentar em Goiânia no palco da 63ª reunião da SBPC, o Emicida lançou seu mais novo single, "Viva"




O Creators Project publicou uma mini entrevista com o rapper a respeito da novidade, reproduzida aí embaixo:






The Creators Project: Como foi o clima das gravações com o K-Salaam & Beatnick?

Emicida:Tudo aconteceu de uma forma muito espontânea. Os caras são bem resolvidos com a música e a carreira deles, assim como eu, então entrar em estúdio com um time deste sempre é prazeroso. O idioma não foi a barreira que imaginávamos que seria, afinal, estávamos fazendo música e a música é maior do que isto. Conversávamos uns 20, 30 minutos sobre cada faixa e partíamos pro aquário, sem muita firula.

Que diferenças principais sentiu no processo e no resultado do trabalho com a produção deles?
Produzir de uma maneira participativa é sempre melhor – poder opinar em cada detalhe e construir junto as músicas gera resultados melhores, era uma coisa que eu precisava pra seguir em frente na minha carreira. Sempre criei em cima de beats enviados pelos beatmakers, com eles participando do projeto. Construir as músicas desta forma dá uma cara mais homogênea ao EP, o que hoje para mim parece ser mais interessante por ser novo.

Em termos de sonoridade, o que mudou?
Acho que estou me tornando mais musical, no sentido de saber construir minhas frases casando-as melhor com as batidas. Claro que os beats também ajudaram muito nisso, mas eu acredito que trabalhamos com mini-melodias encaixadas cirurgicamente no tempo das bases, a música de K-salaam e Beatnick é grandiosa e acredito que conseguimos criar algo muito bonito nesta fusão!

O que viram ou aprenderam de novo?
Ensinamos os caras a falarem “zica braba”. Aprendi que ir para os Estados Unidos é legal, mas se você puder levar feijão é melhor ainda…
Cara, eu acredito que trouxe de lá uma outra visão sobre música, mercado, cultura, que misturada às minhas vai ser bem útil daqui pra frente.

Qual foi a inspiração para “Viva”?
A intenção de fazer as pessoas se sentirem bem independente do lugar ou situação. Muitas vezes a felicidade está em você e pode depender de uma questão de perspectiva. Amo fazer músicas que façam com que as pessoas se sintam bem, motivacionais (risos). Um dia olhei pela janela da minha mãe e vi dois moleques tomando banho de mangueira, falei ‘Caralho, a gente é rei e não sabe várias vezes…’ Voltei riscando a letra já. Ela iria se chamar Melô dos Vileiros", é um sub-titulo, mas a palavra “viva” se tornou muito forte durante as gravações e eu realmente a considero uma palavra muito bonita, virou o nome!





Umbando no encontro da SBPC

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Vai lá e vê o que é que há, pra acelerar!



Tic Tac (Booom)


Pequeno polegar do country-folk


Disco novo do Mopho pra download




Radiohead ao vivo - Glastonbury 2011

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Full concert!





Daquele instante em diante

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O Nego Dito, Itamar Assumpção, em um documentário que percorre sua trajetória musical, desde os anos da vanguarda paulista na década de 1980 até sua morte aos 53 anos. Com depoimentos daqueles que conviveram com o artista, o filme reúne uma seleção de imagens raras garimpadas em acervos e arquivos particulares, mostrando sua presença antológica nos palcos e os momentos de intimidade entre os amigos e familiares.


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Fino!





sexta-feira, julho 15, 2011

A boa do fim de semana

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Sooo fun
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UPDATE 17/07 - A programação de hoje, domingo, foi cancelada pela produção do evento.





the number of the beats 2011/4

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“Calgary”, primeiro single do segundo disco do Bon Iver, é uma atualização do tormento interior de sua estreia.




E se a receita não foi necessariamente renovada, a habilidade de Justin Vernon em compor baladas arrasadoras sobre a miséria sentimental humana garante a faixa entre as melhores canções lançadas no primeiro semestre de 2011.





quinta-feira, julho 14, 2011

Tiro no pé

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E não é que mesmo depois da manobra equivocada do Metallica, que disparou contra o Napster e acertou o próprio dedão, láá no ano 2000, ainda tem banda que insiste em não compreender a nova realidade do mercado.


Em seu site oficial, que promove o novo If Not Now, When?, o Incubus disponibilizou um game em que os membros da banda caem na porrada contra os downloads não pagos. Imitando a estética dos jogos dos anos 80, em Incubattles o jogador escolhe um integrante, dá início ao pula-e-soca, num cenário que lembra o clássico Final Fight, e é "estimulado" a desistir da gratuidade ilegal e a pagar para ouvir o disco que, no final das contas, nem vale tanto a pena.






Tulipa Ruiz + Niela (Gloom)



A foto eu pesquei no instagram do Fabrício Nobre, e o que ela registra de forma meio manca é o inusitado dueto de Tulipa Ruiz e Niela - vocalista do Gloom, durante o ótimo show de ontem da cantora santista no palco da 63a Reunião da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.



Assistindo ao show do fosso dos fotógrafos, Niela parece ter se surpreendido quando Tulipa esticou o fio do microfone até ela, oferecendo a parceria improvisada, enquanto ocupava o mic do irmão/guitarrista/backing vocal Gustavo Ruiz, para duelar com a cantora de uma das melhores novidades do pop goianiense (que se apresentou no mesmo palco na última segunda feira).
















Gil lança APP para iphone e ipad



Gilberto Gil, que parece ter aderido com entusiasmo ao modus operandi da cultura digital, lançou um aplicativo grátis para ipad/iphone.


Na prática, o app é uma versão compacta de seu site oficial de onde pode-se ouvir, em streaming, toda a discografia do autor do clássico "Pega a Voga Cabeludo" (ainda que os downloads não sejam permitidos). E o legal, no caso, é que dá pra resgatar algumas das joias obscuras do Gil com dois ou três cliques, sem ter que precisar escavar a internet de ponta a ponta, atrás de um link válido.
















terça-feira, julho 12, 2011

Uma hora de Radiohead

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Viu o vídeo de quase um hora, recém vazado, com o Radiohead tocando The King of Limbs na íntegra, no porão da BBC de Londres?



De bônus, tem a s piadinhas sem graça da turma do Thom Yorke e algumas faixas inéditas. Se compensa? Aí é com você.

Se acha que sim, manda um alô lá pro Altnewspaper, que ripou o áudio das 10 faixas do TKoL, tocadas nesse show subterrâneo:


Radiohead - The King of Limbs Live From The Basement (MP3)







All Apologies

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Que me desculpe o Emicida...



...mas quinta feira eu vou ver o Harmonitango.




Uma homenagem aos 90 anos de Astor Piazzolla


José Staneck – harmônica
Ricardo Santoro – violoncelo
Sheila Zagury – piano

A busca por diferentes sonoridades e de novas formas de expressão: esta é a razão para a formação deste trio composto por músicos com grande experiência camerística como José Staneck, Ricardo Santoro e Sheila Zagury.

Através da fusão de seus estilos, os músicos encontram na música de Astor Piazzolla uma maneira de se expressar de forma lírica e emocionante, valorizada pela riqueza tímbrica da harmônica, do violoncelo e do piano.

A similitude da sonoridade da harmônica com o bandoneon transfere à música de Piazzolla toda a energia deste grande compositor, que se reflete em detalhes, valorizada pelos arranjos e pela execução do trio Harmonitango.

Repertório
- Fear (5 Sensations)
- Libertango
- Meditango
- Allegro Tangabile
- Inverno e Primavera (4 Estações Portenhas)
- Oblivion
- Le Grand Tango


José Staneck
Misturando influências diversas, José Staneck desenvolve um estilo próprio onde elementos tanto da música de concerto quanto da música popular brasileira e do jazz se fundem a serviço de uma sonoridade e expressividade marcante. Estudou harmonia com Isidoro Kutno, análise com H. J. Koeullreutter e interpretação com Nailson Simões. Obteve o título de Mestre pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO. Atua com diferentes formações camerísticas, e já foi solista de diversas orquestras sinfônicas nacionais e internacionais.

Ricardo Santoro
Iniciou seus estudos com seu pai, o contrabaixista Sandrino Santoro. Formado pela Escola de Música da UFRJ, é músico da Orquestra Sinfônica Brasileira e da UFRJ. Tem seis CDs gravados com o Trio Aquarius, Trio Mignone, Duo Milênio, Quarteto Guerra-Peixe e Tocata Brasil. Com seu irmão gêmeo Paulo, forma o prestigiado Duo Santoro de Violoncelos. Já se apresentou nas principais salas de concerto do Brasil, da Alemanha e dos Estados Unidos. Como solista, se apresentou à frente de várias orquestras no Brasil, entre elas a Orquestra Sinfônica Brasileira por quatro vezes. Desde 2004, é o professor de violoncelo do Festival Vale do Café, e, desde 2008, do Curso Internacional de Verão de Brasília.

Sheila Zagury
Pianista de formação eclética, ela já atuou com vários artistas de renome como Eduardo Dussek, Ângela Rorô, Rio Jazz Orchestra, Neti Szpilman e Marianna Leporace, e em numerosos espetáculos de teatro e shows. Mantém um duo com Daniela Spielmann há 10 anos, tendo lançado em 2007 o CD intitulado “Brasileirinhas”. Mantém também com José Staneck um duo de 15 anos. Em 2008 realizaram vários concertos dedicados à música erudita brasileira e à obra de Piazzolla. Participa de grupos como a Cyclophonica, do conjunto de música judaica Zemer e da Orquestra Lunar, orquestra de gafieira formado exclusivamente por mulheres e que acaba de gravar seu primeiro CD. É professora da Escola de Música da UFRJ. No momento, cursa o Doutorado em Música, na UNICAMP, além de se manter com suas atividades artísticas.


Quando: 14 de julho, quinta-feira, 21 horas
Onde: Teatro Sesi (Av. João Leite, 1.013, Setor Santa Genoveva, ao lado do Clube Ferreira Pacheco)
Quanto: R$ 10 (meia) R$ 20 (inteira)
Informações: 62 3093-2193







Warning

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segunda-feira, julho 11, 2011

the number of the beats 2011/3

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The King of Limbs é confuso, talvez fluido demais, mas também guarda boas surpresas.

"Separator" - Radiohead



"Separator", a faixa escondida no fim da lista (que na época do lançamento chegou a ser interpretada como pista de uma possível segunda parte do álbum) mantém a sensação de plácida confusão que atravessa as 8 faixas do disco, mas a liquidez da melodia consegue diluir a batida esquisita e o resultado é um habilidoso transe hipnótico de pouco mais de 5 minutos.






A música na 63ª Reunião da SBPC

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Começou ontem a 63ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, lá na UFG. E, além dos costumeiros debates, mesas-redondas e conferências, o encontro tem uma extensa programação musical.




Distribuído entre novatos e veteranos do rock independente, emergentes da nova MPB e pastiches regionalistas ressuscitados, o line up foi feito pra todo mundo, inclusive pra quem não se importa muito com música. Os shows começam hoje e os destaques são:

O Garotas Suecas, que reprocessando o funk nacional setentista fez um dos melhores discos lançados no Brasil, ano passado; o Umbando, que finalmente está sendo reconhecido fora dos limites do Estado como o grande grupo que é; a Tulipa Ruiz, uma das melhores discípulas vocais da Gal Costa, que estreou com um dos grandes álbuns da nova música brasileira; Diego e o Sindicato, que soube esticar uma ponte entre o rock e a MPB feitos em Goiânia; e o Emicida, atualmente o nome mais instigante do hip hop nacional. Acompanhe a lista completa:


Segunda-Feira, Dia 11:
Gloom (GO) 18h30 – 19h10
Violins (GO) 19h30 – 20h10
Sertão (GO) 20h30 – 21h10
Beirão (DF) 21h30 – 22h10

Terça-Feira, Dia 12:
Umbando (GO) 18h30 – 19h10
Juraíldes da Cruz (GO) 19h30 – 20h10
Xangai (BA) 20h30 – 21h10
Tetê e Alzira Espíndola (MS) 21h30 – 22h10

Quarta-Feira, Dia 13
De volta ao Samba (GO) 18h30 – 19h10
Música Passarinhos do Cerrado (GO) 19h30 – 20h10
Vida Seca (GO) 20h30 – 21h10
Grace Carvalho (GO) 21h30 – 22h10
Tulipa Ruiz (SP) 22h30 – 23h10

Quinta-Feira, Dia 14
Abluesados (GO) 18h30 – 19h10
Tônzera (GO) 19h30 – 20h10
Cega Machado (GO) 20h30 – 21h10
Coró de Pau (GO) 21h30 – 22h10
Diego e o Sindicato (GO) 22h30 – 23h10
Emicida (SP) 23h30 – 00h10

Sexta-Feira, Dia 15:
Folk Heart (GO) 18h30 – 19h10
Space Monkeys (GO) 19h30 – 20h10
Johnny Suxxx and Fuckin’ Boys (GO) 20h30 – 21h10
Mechanics (GO) 21h30 – 22h10
Mugo (GO) 22h30 – 23h10
Garotas Suecas (SP) 23h30 – 00h10





domingo, julho 10, 2011

Um filme de rock?

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Como muita gente sabe, o Carlos Alberto Mattos é crítico de cinema há mais de 30 anos, edita o ...Rastros de Carmattos e cuidou também do extinto Docblog . Especializado em documentários, ontem ele gastou sua pena para analisar Rock Brasília, o novo filme do Wladimir Carvalho (que assina a direção também de O País de São Saruê, Conterrâneos Velhos de Guerra e Barra 68). Vale a leitura:

Wladimir Carvalho comenta Rock Brasília



Um filme sobre rock?! É o que muitos perguntam, assustados, ao ver o nome de Vladimir Carvalho associado a seu novo longa, Rock Brasília, que estreia nacionalmente hoje no Festival de Paulínia. Para Vladimir, no entanto, isso não representa uma novidade absoluta. Um dos filmes que mais o impressionaram nos anos jovens foi Sementes de Violência, de Richard Brooks, que praticamente lançou o rock ‘n roll no cinema. Em sua casa, quem lançou o rock foi o irmão Walter, que participava de concursos de roqueiros. “Nos meus filmes, volta e meia tem rock”, diz ele, citando cenas de O País de São Saruê, Conterrâneos Velhos de Guerra e Barra 68.

Mas será mesmo Rock Brasília um filme sobre rock no sentido que se espera do gênero, com ritmo veloz, som em alto volume e imagens de rebeldia? Não é bem assim. Rock Brasília é, isso sim, um filme de Vladimir Carvalho. Um filme sobre como as pessoas se lembram das coisas e são capazes de contá-las cara a cara com o diretor. Na verdade, mais do que sobre rock, este é um filme sobre Brasília. Conclui uma trilogia de longas sobre momentos históricos da capital: a construção, evocada em Conterrâneos Velhos de Guerra; os assédios da ditadura, expostos em Barra 68; e a manifestação talvez mais frutuosa da cultura brasiliense, que foi o rock surgido ali entre o fim dos anos 1970 e o princípio dos 80, quando chegou a haver quase duzentas bandas na cidade.

Renato Russo e Vladimir CarvalhoVladimir percebeu na época a importância do que rolava nas superquadras de classe média, especialmente naquela chamada Colina. Estimulou alunos e colegas da ABD a registrarem os primeiros shows das bandas Aborto Elétrico, Legião Urbana, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial e Detrito Federal. Não satisfeito, saiu ele mesmo para fazer entrevistas e filmar eventos como o célebre show do Legião em 1988, que terminou em confusão com muitos feridos e em ódio de parte do público pelo grupo. Esse material, guardado desde então, é a base documental de Rock Brasília.

Através de entrevistas e cenas de arquivo, além de uma sequência encenada para recuperar a atmosfera romântica dos acampamentos à beira do Lago Paranoá, o filme conta uma história de sonhos e obstáculos. Uma “epicrônica”, como Vladimir prefere chamar. Durante a fase de montagem, ele se abria aos eflúvios do livro A Jornada do Escritor, de Christopher Vogler, que analisa a criação de histórias a partir de estruturas míticas. Assim, a jornada dos heróis roqueiros foi montada com base nos desafios à ordem estabelecida, confrontos com a polícia, catalisação de insatisfações políticas, rachas internos, conflitos de garotos que se tornaram homens em plena exposição da mídia. Nesse percurso, tiveram mentores e guardiões, sendo também assombrados pela morte prematura do líder maior, Renato Russo.

Russo, que Vladimir considera “o maior poeta do rock brasileiro”, é o eixo individual mais importante na narrativa de Rock Brasília, mas divide o tempo de tela com integrantes da Legião, Capital e Plebe, bem como respectivos familiares. No fundo, é uma história de famílias o que ali se conta. Em sua maioria filhos de professores, diplomatas e altos servidores públicos, os roqueiros saídos de Brasília tinham um acesso privilegiado à cultura estrangeira – e as influências de Bob Dylan, do Police e do movimento punk ficam patentes. Tinham, por outro lado, a pecha de “filhinhos de papai” para desmentir com atitudes e letras de música. A última cena do filme, puxando bem para o lado emocional, completa o sentido familiar dessa saga.

Para ser um legítimo filme de rock, Rock Brasília precisaria ter mais música e menos falas. Precisaria ter capas de disco fazendo piruetas na tela, fãs se descabelando e uma certa exaltação das emoções em jogo. Mas aí talvez não fosse um filme de Vladimir Carvalho. Não há um interesse específico em celebrar o êxito das bandas. Os relatos da formação, da dissolução e de uma ressurreição superam a crônica dos anos de maior sucesso. Isso fica para outro tipo de filme ou programas de TV. Vladimir, como sempre, sai atrás das histórias humanas que rebatem na política. Sai atrás das memórias que ficam depois que a poeira baixa e a reflexão substitui a dor e a euforia.



Texto originalmente publicado no ...Rastros de Carmattos.